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Unhas, Disfarces e Confusões Domésticas.





Ele estava desconfiado da mulher. Toda semana era a mesma coisa. Dolores ia à manicure; algumas vezes dava uma escapadinha até o cinema. Quando voltava, parecia outra pessoa: o astral, a estima, o brilho! Parecia outra pessoa. Adamastor, para tirar a pulga de trás da orelha, resolveu segui-la; ficou duas horas escondido na esquina, esperando-a sair. Naquele dia, nada de incomum aconteceu. Nem no outro, nem no outro.


"Não é possível! Preciso saber o que acontece naquele salão de onde minha esposa sai tão radiante e vai direto ao cinema. O cinema! É isso, só pode ser lá." Lá vai Adamastor no encalço da patroa e nada. Ao chegar em casa, como sempre, ela se dirigia à cozinha e preparava o jantar, cantarolante, leve, feliz.


Então, depois de uma noite inteira matutando um plano incrível para pegar a gata no pulo, antes mesmo de amanhecer, lhe veio a ideia: "Vou fazer as unhas." Adamastor se preparou, colocou peruca, batom, saia; pegou uma bolsa da esposa e foi investigar.


Deparou-se com uma mulher muito bem aprumada, sorridente, que colocou seus pés na água morna e começou a conversa. Quando ele deu por si, estava a quase duas horas falando: papo de família, atualidades, fofocas e desabafos. Enquanto a manicure lixava daqui, lixava dali, cutículas iam ao chão e Adamastor ia se sentindo mais leve.


Ao se despedir, a manicure olhou para Adamastor e disse: "Mande um beijo para a esposa e diga a ela que a espero no horário marcado para prestar meus serviços e emprestar meus ouvidos.


Por Drika Rocha.

@drikarochaescritora

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