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A Insurreição das Palavras na Cidade do Silêncio.

Atualizado: 21 de dez. de 2023

A revolta das palavras esquecidas




Era uma vez, em um futuro que agora parece distante, uma cidade onde as palavras eram prisioneiras de um regime disfarçado de democracia. Sob a alcunha de "Estado Democrático", as expressões haviam perdido sua vitalidade, sufocadas por normas que buscavam uma igualdade estéril no linguajar. O dicionário, outrora um tesouro de nuances e significados, tornou-se um relicário inútil em meio a uma comunicação simplificada, destinada a alcançar a todos, mas que, no fim, não chegava a ninguém.

Neste cenário sombrio, um grupo de insurgentes, conhecidos como "Os Desconectados", emergiu das sombras. Escolheram o anonimato de becos esquecidos para preservar algo que se perdia: a liberdade de falar e pensar. Em uma sociedade onde ler um livro era visto como uma desconexão da realidade controlada, esses rebeldes abraçaram a contradição, tornando a desconexão uma forma de resistência.

Foi em um dia comum, quando Sofia, uma jovem destemida, desenterrava antiguidades literárias proibidas, que a chama da revolta começou a brilhar. Nas páginas gastas de "1984" de George Orwell, ela encontrou as palavras que haviam sido banidas, as palavras que incendiavam a rebeldia dentro dela.

Inspirados pela coragem de Sofia, Os Desconectados forjaram uma aliança secreta conhecida como "Gira Livro Invisível". Essa rede clandestina tornou-se um oásis onde as palavras proibidas circulavam livremente, escapando das garras vigilantes do Estado Democrático. A palavra se espalhou, tornando a Gira Invisível uma centelha de esperança para aqueles que ansiavam por um resgate da diversidade linguística e da liberdade de expressão.

Mas o Estado Democrático, percebendo a ameaça à sua hegemonia, lançou uma caçada aos Desconectados. O exército da tirania se movia, porém, a chama da resistência era inextinguível. A Gira Livro Invisível crescia como uma força imparável, conectando corações ávidos por conhecimento, derrubando as barreiras da uniformidade linguística.

Em uma noite de silêncio quebrado apenas pelo sussurro das páginas, Os Desconectados se reuniram secretamente. Com livros nas mãos e palavras nos lábios, juraram continuar a luta pela liberdade literária. A verdade, expressa em bilhetes clandestinos que explicavam significados e origens das palavras, tornou-se uma arma poderosa.

E, assim, as palavras, como espada de dois gumes, cortaram as correntes da opressão. A insurreição das palavras na Cidade do Silêncio foi a crônica de uma resistência que floresceu na obscuridade, onde a diversidade linguística e a liberdade de expressão triunfaram sobre a tirania disfarçada de democracia. Os Desconectados, agora guardiões de um patrimônio linguístico perdido, tornaram-se os arquitetos de um renascimento, onde as palavras, antes esquecidas, agora dançam livres nas mentes daqueles que ousavam sonhar.



Autor Desconhecido, ou Não.

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